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Por que você não sabe argumentar?

Entenda qual a relação entre a "tia" do ensino fundamental e a sua dificuldade em produção de texto no ensino médio.

Por que você não sabe argumentar?

Nesse artigo, talvez eu faça você ter ódio da sua professora da 1º série.

Calma, tenho um bom motivo pra isso. Hoje eu vou te explicar que talvez essa professora seja a culpada por você não saber argumentar.

Bem, todo mundo teve aquela professora da 1º série que a gente costumava chamar de tia. Alguns de nós tem boas lembranças dessa professora, outros nem tanto.

Porém, poucos de nós se lembra dessa professora no momento em que estamos tentando fazer uma redação e simplesmente não conseguimos encontrar um argumento a respeito do tema. Mas é nessa hora que a gente devia se lembrar dela.

Não saber argumentar é, com toda certeza, a reclamação que a gente mais ouve de um aluno que entra em contato para tentar fazer parte de uma das nossas turmas em nossos cursos.

Geralmente, aqui na escola, o aluno se inscreve em algum curso gratuito, entra em uma lista de espera, solicita um contato e um dos nossos afiliados propõe uma ligação.

Nessa ligação, a gente quer saber qual a dificuldade do aluno. O problema é quase sempre o mesmo: ou o aluno diz que não sabe nada sobre o tema ou afirma que não sabe argumentar.

Bem, a verdade é que os dois problemas são o mesmo, mas eu juro que ainda vou fazer um e-mail pra você sobre essa história de não saber nada sobre o tema.

Mas hoje quero falar sobre não saber argumentar.

Poucas coisas podem ser mais frustrantes do que estar diante de um papel em branco e não saber justificar nossas ideias.

Aqui estou falando do aluno que até sabe começar o texto, mas chega no 2º parágrafo da redação e não sabe mais o que dizer.

Esse aluno até tem informação sobre o tema, mas falta articulação. Geralmente, o professor ou corretor da escola diz para esse estudante, ao corrigir o seu texto, algo vago como "aprofunde suas ideias".

A gente fica mais perdido ainda.

O resultado de constantemente tentarmos escrever e passarmos por essa experiência de não saber explicar o que estamos escrevendo pode gerar ansiedade, sensação de impotência e, obviamente, procastinação.

Sim, procastinação!

Afinal, você não escreve domingo a noite a sua redação da escola porque é desorganizado. A sua desorganização é uma consequência de você estar fugindo da sensação horrorosa de se sentir incapaz. Mas como resolver isso?

Bem, primeiro você precisa entender a origem do problema, que está na "tia" do fundamental.

Quando a gente é criança a escola se concentra muito na alfabetização gramatical. Teoricamente, está alfabetizado o aluno que escreve o texto sem erros gramaticais.

Porém, poucas escolas se preocupam, nas séries iniciais, em se atentar ao conteúdo dos textos que alunos escrevem ou sobre as habilidades desses textos.

Isso significa que a maioria das escolas de ensino fundamental pedem que crianças escrevam relatos e nunca textos argumentativos.

Relatos são textos em que a gente descreve alguma coisa, como quando a gente chegava de férias e pediam que a gente fizesse um relato sobre "minhas férias".

Para mim, essa parte era bem frustrante porque minha família não tinha grana, mas eu estudava em um colégio de gente rica.

Enquanto meus colegas falavam sobre as férias na Disney eu tinha que falar na redação sobre os filmes que vi na sessão da tarde.

Mas esse trauma quem resolve é a minha terapeuta. Aqui estamos falando sobre como redações como "minhas férias" atrapalham você a escrever até hoje.

Bem, se no ensino fundamental a gente aprendeu apenas a fazer relatos sobre diferentes situações, então a gente não aprendeu a desenvolver a habilidade de explicar as situações.

Assim, a maioria de nós apenas sabe apresentar informações em um texto, mas não sabemos explicar essas informações.

Esse hábito de sermos meramente informativos faz com que a gente não saiba fazer textos argumentativos.

Um exemplo claro disso é que em um tema sobre O ESTIGMA ASSOCIADO ÀS DOENÇAS MENTAIS  a nossa tendência é buscar informações sobre saúde mental. A gente quer colocar na redação dados, episódios e fatos históricos sobre saúde mental.

Por conta desse hábito, em nosso texto, mostramos a porcentagem de pessoas com problemas mentais, apresentamos quantas dessas pessoas precisam se afastar de seus trabalhos, fazemos paralelos ao exemplificar artistas que tiveram esse tipo de problema.

No entanto, essa quantidade de informações não garante que a gente explique o porquê de as pessoas com doenças mentais sofrerem estigmatização.

É isso que a gente deveria ter sido ensinado na escola:

Mais importante do que a quantidade de informações do seu texto é a sua capacidade de explicar a situação.

O mundo já tem informação demais, o que a sociedade precisa é de gente que tenha a habilidade de explicar as situações.

Quando a gente entende que o nosso texto é sobre explicar e não informar, a nossa posição diante de um tema de redação muda, porque agora temos um desafio: precisamos olhar cada frase que escrevemos e nos perguntarmos se explicamos aquela informação.

Quando descobrem isso, a maioria dos meus alunos diz que começaram a achar suas redações mais pobres.

Afinal, eles vieram de uma realidade de enfiar um monte de informações na redação e, de repente, perceberam que a redação não era uma corrida sobre quem sabe pesquisar melhor na internet.

Essa sensação de que a redação piorou, é natural no começo, porque você estará aprendendo a refazer o seu texto.

Antes, você tinha um texto aparentemente bom, mas que não era seu. Afinal, na hora de uma prova de vestibular ou Enem, você não vai poder pesquisar informações.

Agora, você pode ter um texto aparentemente pobre, com poucas informações, mas com uma preocupação real de explicar essas informações.

Parece pouco, mas essa consciência já é muito mais do que a maioria dos concorrentes sabe. E o melhor: a partir desse conhecimento você pode agora mesmo olhar todas as suas redações antigas e ver que elas eram "ruins" provavelmente porque só tinham informações e nunca tentavam justificar.

Pense sobre isso. Garanto que vai te ajudar.

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